segurança 7 ago 2026

As Cicatrizes Invisíveis do Parto: Entenda o que é Violência Obstétrica e Como Agir

Conjunto de práticas abusivas durante a gestação, o parto e o pós-parto continua sendo uma das formas mais invisibilizadas de violência contra as mulheres. Sou mãe de um menino. Durante muito tempo, lembrava do meu parto apenas como uma experiência difícil. Não conseguia explicar exatamente o porquê. Foi só anos depois, ouvindo profissionais e mulheres ... O post Violência obstétrica: quando o parto deixa marcas que vão além do nascimento, por Bia Vargas apareceu primeiro em Agência Patrícia Galvão.

O nascimento de um filho deveria ser um momento de acolhimento, respeito e segurança. Para muitas mulheres, no entanto, essa experiência é marcada por traumas que deixam feridas profundas, muitas vezes silenciosas. A violência obstétrica é uma realidade que afeta milhares de brasileiras, transformando um momento único em uma lembrança de dor, desrespeito e impotência.

A violência obstétrica é um conjunto de práticas abusivas que podem ocorrer durante a gestação, o parto, o nascimento ou o pós-parto. Ela se manifesta de diversas formas — física, psicológica, verbal e até mesmo pela negligência ou por procedimentos desnecessários realizados sem o consentimento da mulher. Reconhecer esses atos é o primeiro passo para combatê-los e garantir que o direito a um parto digno e respeitoso seja uma realidade para todas.

O que define a violência obstétrica?

Muitas mulheres passam por situações de abuso sem sequer nomeá-las como violência. Elas podem sentir que algo estava errado, que foram desrespeitadas ou que seus desejos não foram ouvidos, mas internalizam a experiência como "um parto difícil". É fundamental entender que a violência obstétrica não se resume à agressão física.

Ela se caracteriza por qualquer ato que desrespeite o corpo, a autonomia e os sentimentos da mulher. Inclui:

Sinais de alerta: como identificar as práticas abusivas

A informação é a principal ferramenta para a prevenção. Conhecer os sinais de violência obstétrica ajuda a gestante, seu acompanhante e a rede de apoio a identificar e questionar práticas inadequadas. Fique atenta se durante o atendimento você ou alguém que você conhece passar por alguma destas situações:

Lembre-se: o protagonismo do parto é da mulher. A equipe de saúde está ali para apoiar e intervir quando necessário, sempre com base em evidências científicas e com o seu consentimento informado.

As consequências vão além da sala de parto

As marcas da violência obstétrica não são apenas físicas. As feridas emocionais podem levar anos para cicatrizar e impactam profundamente a vida da mulher e de sua família. O trauma pode desencadear quadros de depressão pós-parto, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e medo de uma futura gravidez.

Além disso, a experiência negativa pode dificultar a criação do vínculo entre mãe e bebê e afetar a amamentação. A mulher pode se sentir culpada, fragilizada e com a autoestima abalada, questionando sua própria capacidade de ser mãe. É por isso que falar sobre o assunto, acolher as vítimas e oferecer apoio psicológico é tão importante quanto a denúncia.

Seus direitos durante a gestação e o parto

A legislação brasileira assegura uma série de direitos para a gestante, visando um atendimento digno e humanizado. Conhecê-los é um ato de autoproteção e empoderamento.

Elaborar um Plano de Parto é uma excelente forma de comunicar seus desejos à equipe. Embora não seja um contrato, ele serve como um guia e abre um canal de diálogo, ajudando a alinhar expectativas e a garantir que suas escolhas sejam respeitadas.

O que fazer se você sofreu ou testemunhou violência obstétrica?

Se você passou por essa situação, saiba que não está sozinha e que a culpa não é sua. Sua experiência é válida e sua voz precisa ser ouvida. Denunciar é um ato de coragem que pode evitar que outras mulheres passem pelo mesmo sofrimento.

  1. Busque apoio: Converse com pessoas de confiança e, se possível, procure ajuda psicológica para processar o trauma.
  2. Documente tudo: Reúna todos os documentos que puder, como o cartão da gestante, o prontuário médico (é seu direito ter acesso a ele) e, se possível, anote o nome dos profissionais envolvidos e de eventuais testemunhas.
  3. Faça a denúncia: Você pode registrar a ocorrência nos seguintes canais:
    • Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): Este é o principal canal para denúncias de violência contra a mulher. A ligação é gratuita e confidencial.
    • Disque 100 (Disque Direitos Humanos): Para relatar violações de direitos humanos.
    • Ouvidoria do hospital ou da Secretaria de Saúde: Registre uma queixa formal na instituição onde o atendimento ocorreu.
    • Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e de Enfermagem (COREN): Para denunciar a conduta dos profissionais.
    • Ministério Público ou Defensoria Pública: Para buscar orientação jurídica e a responsabilização civil e criminal dos envolvidos.

O caminho para o fim da violência obstétrica passa pela conscientização coletiva. Informar-se, dialogar e exigir o cumprimento dos seus direitos são atitudes fundamentais. Cada mulher que se levanta contra o abuso ajuda a construir um futuro onde o nascimento seja sinônimo de respeito, dignidade e alegria.

Informação. Prevenção. Proteção.

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